Redescobrindo Tóquio

Postado por:
em: 06/12/2013
Categoria(s): grandes destinos, Notícia

Um mundo do outro lado do mundo
por Silvia Citelli

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Do enorme e mais famoso cruzamento do mundo, em Shibuya, às estreitas vielas de Golden Gai, Tóquio inspira, instiga, estonteia, e faz a gente perceber como presente e passado, tradição e modernidade se encontram em uma profusão de luzes, cores, casas de chá, quimonos.

Já na chegada ao aeroporto internacional de Narita, a passagem pela imigração, da qual geralmente acho um momento incômodo e sério da viagem, somos recebidos pelo celebre atendente e, por uma telinha, estrategicamente localizada em cima do balcão. Nela mangás (as histórias em quadrinhos típicas do Japão) nos deseja boas vindas. E, enquanto tentamos olhar seriamente para o agente da imigração, que checa a foto do passaporte às semelhanças do nosso rosto, coelhinhos coloridos saltam e rodopiam na tela chamando desesperadamente a nossa atenção. É, chegamos na Terra do Sol Nascente.

Do aeroporto ao centro o ônibus leva aproximadamente 1 hora. É a forma mais rápida e econômica de transporte. Além do conforto e da tranquilidade no deslocamento, é possível apreciar as belezas da cidade.

Tóquio

Ao contrário da outra vez em que estive em Tóquio, desta preferi alugar um apartamento, já que o período de permanência seria maior. Aliás, pense com carinho a quantidade de dias que pretende reservar para essa cidade, há muita coisa para fazer e conhecer, as distâncias são longas entre um bairro e outro e, mesmo tendo o metrô como seu melhor aliado, os pés vão clamar por descanso.

Cada bairro de Tóquio tem a sua peculiaridade, atração e beleza, e foi impossível não começar por Shibuya, um dos lugares mais agitados da cidade, com o famoso cruzamento mostrado no filme Lost in Translation (Encontros e desencontros) de Sofia Coppola. Milhares de pessoas passeiam, compram, se divertem, ou apenas desfilam com roupas extravagantes e diferentes de tudo o que se pode imaginar. Caso esteja por ali, suba até o primeiro andar da Starbucks para ver essa movimentação de cima. E não deixe de experimentar alguns dos restaurantes da região que vendem Ramen (ou Lamen) – uma sopa de macarrão, carnes e legumes originada da China e adaptada ao gosto dos japoneses: mais uma das maravilhas da culinária local. Para comprar esse prato é fácil, basta dirigir-se a uma máquina que pode estar dentro ou fora do restaurante, escolher uma foto do prato que mais te apetece, apertar o botão, colocar o seu dinheiro e, saindo o papelzinho, basta entregar a um dos simpáticos garçons que gritam, em saudação, a cada entrada de um novo cliente.

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Um novo dia, um novo bairro. O local escolhido desta vez foi Harajuku. Inicie o passeio pelo Yoyogi Park, uma área lindíssima com enorme aglomerado de árvores e espaços verdes onde se encontra o mais sagrado templo zen-budista de Tóquio: o Meiji Jingu. Esta visita deve estar reservada a um sábado ou domingo, pois nestes dias da semana é bem possível se deparar com a inesquecível experiência de uma cerimônia de casamento.

Defronte ao parque fica mais um incrível ponto de Tóquio, a rua Takeshita. Vá aos domingos e se prepare para uma viagem ao mundo dos Mangás. A rua se transforma em passarela de personagens das famosas histórias em quadrinhos japonesas, com as suas Lolitas e Cosplays, elas vestidas de bonecas e eles fantasiados com os seus ídolos, expressando uma verdadeira festa da moda e do que há de novo no Japão. Essa minuciosa produção, vem acompanhada de bolsas e sacolas com marcas como Prada e Chanel, que podem ser compradas na próxima rua, a Omote-sando.

Aproveite e passeie pelos brechós e estabelecimentos especializados na cultura Cosplay, quem sabe você até faça um corte de cabelo cheio de charme e estilo, daqueles capazes de causar exclamações na turma que estará à sua espera na volta da viagem.

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Outro parque interessante é o Ueno. Lá estão, além do zoológico mais antigo do Japão e diversos templos, vários museus: Nacional de Tóquio;  Nacional de Ciência;  de Arte Ocidental; Metropolitano de Arte.  Separe uma manhã inteira para esse passeio. Se ainda aguentar, na volta à estação de trem, procure uma espécie de mercado a céu aberto, chamado Ameyayokocho. A minha experiência no local foi maravilhosa. Quanto mais eu entrava pelas ruelas, mais interessante ficava o passeio, já que não havia turistas. Era perto da hora do almoço e os vários restaurantes estavam lotados de japoneses comendo, bebendo e fumando. Conforme andávamos eu e meu acompanhante de viagem, mais atraíamos a curiosidade das pessoas. Já cansados, resolvemos parar em um dos restaurantes/bar para um breve snack.

Foi aí que nos ocorreu um dos momentos mais engraçados de todos os tempos. Estávamos em uma mesa e ao lado dois senhores nos olhavam, comentavam, gargalhavam a ponto de acharmos que estavam rindo das nossas caras. De alguma forma tentamos nos comunicar e com um simpático sorriso de um dos comensais fomos incluídos em uma conversa que durou algum tempo. Em qual língua? Também não sei, só sei que foi assim que conhecemos esses dois senhores e o casal da mesa ao lado. Com o meu guia básico de japonês arrisquei algumas palavras e provoquei muitas risadas. Cerveja na mesa, petiscos curiosos, e acabamos ficando duas horas no maior “papo”. Eles fizeram questão de pagar a nossa conta e ainda exigiram que posássemos para uma foto em seus celulares

Tóquio

Dizem que a melhor forma de conhecer os japoneses é no bar. Assim sendo, não deixe de passar pelo bairro de Shinjuku, o mais badalado de Tóquio. Lá procure um local chamado Golden Gai. E encontre um festival de bares: em torno de 200 deles, todos muito pequenos, de no máximo 5 metros quadrados aglomerados em espaço de um quarteirão.  É isto mesmo o que você está pensando: uma loucura, só que extremamente divertida e diferente. Alguns bares cobram entrada, mas vale cada centavo, apenas cuidado com a volta de metrô: o excesso de saquê, as várias linhas de trem, a escrita que mais parece um monte de desenhos, podem fazer com que você pense estar indo para o norte e termine no sul.

Tóquio

É impossível dizer tudo o há para fazer em Tóquio, em um texto resumido. Cada bairro merece um capítulo de livro, então para finalizar gostaria de fazer referência a mais um lugar especial: o bairro Shimokitazawa. Ele está fora do circuito turístico. Levamos em torno de 30 minutos de trem, saindo da região central, e chegamos no início da noite. Apaixonei-me perdidamente já na descida do vagão, pois parecia estar diante de uma cena de filme japonês, com aquelas casinhas baixas, com flores na janela, a linha de trem passando no meio, as bicicletas com cestinhas indo e vindo com seus animados condutores. Um verdadeiro encanto.

Pedimos informação a um casal que saia de uma loja de conveniência e eles, muito simpáticos, com um inglês razoável, resolveram nos acompanhar até o restaurante que buscávamos, o Totoshigure. Não podíamos deixar de chamá-los para entrar e, com um pouco de insistência, os convencemos a aceitar. Conversa vai, cardápio vem e esse queridíssimo casal fez com que experimentássemos as melhores comidas e saquês das nossas vidas, espetacular! Como o menu estava em japonês deixamos que os nossos amigos fizessem os pedidos, todos acertadíssimos.

A empolgação foi tanta de ambos os casais que terminamos a noite em um caraoquê típico. Cantamos até às 5 da manhã, foi uma experiência realmente incrível. O caraoquê é organizado em pequenas salas privativas para cada grupo de amigos, portanto a vergonha não será desculpa para essa diversão.

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Por fim, não deixe de ir ao Tsukiji, o maior mercado de peixe do mundo, ao bar no último andar do Hotel Hyatt, ao bairro Ginza, onde estão os hotéis de luxo, galerias e museus, e às enormes lojas de departamento. Experimente comer nas incríveis padarias que, além de vários tipos de pães, servem sanduíches de frutas. Prove os pratos típicos como o Okonomiyaki e o Takoyaki. Nas suas andanças, observe as tampas dos bueiros, nelas estão estampados magníficos desenhos que contam parte da história do país. Para se comunicar, não há problema, fale japortuguês, inglesniponês, e, na dúvida, apele para o mimiquês. No final, a cortesia, a educação, a amabilidade dos japoneses e os encantos desta magnífica cidade de Tóquio falarão mais alto.

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Confira o roteiro especial da Interpoint para Tóquio: interpoint.com.br/Destinos/Japao/Toquio